Luis Martins da Silva - Rua de Mim

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parquinho de lembranças
rodam-se gigantes
recordações

há um trem fantasma
na minha infância


carroussel



quando o menino decobriu
que não eram doces
as gotas da chuva
não as comparou mais
com as lágrimas
que desde cedo
tinham sal


desencanto



quando o menino
assobiou no escuro
o assobio
biou
biou
biou
espantando o medo


defesa



o menino fazia bolhas
de sabão
chicletes-de-vento
mas como todas as bolas
se apagavam
resolveu fazer estrelas
que eram bolhas-constelações
a origem do mundo


brincadeira



tímido medo
animal franzino para açoite
3º ano primário
menino-aluno-apelidário
cristo da turma
precária poesia de borrador
"pai: perdoai-lhes
não sabem o que falam
com quem falam não sabem
eles nem sabem falar"

hoje tudo passado
tudo passado a limpo na pedra
com a pureza do giz


seleção natural



luzanira
é o nome de uma pessoa
que afagou meus cabelos
de criança
que me ensinou
o beabá

foi ela que um dia
pegou o trem

foi ela que um dia
morreu queimada
em fortaleza
no estouro
de um bujão de gás


tragédia cearense



ainda hoje
ficou-me
do coreto
de uma pracinha
aquela tão pura
cafonice
de dedicação

esta música
é que alguém
oferece a alguém
e este alguém
sabe quem
como prova de amor
e altas considerações


bolero



foi então
que o leite finou
e o anjinho
coitado
recebeu sorrindo
a morte mais natural

o padre nem veio
o sino nem dom
o alto-falante dem deu

iam dar ao bichinho
o nome de paulo césar
ia ser jogador


aconteceu no cariri



arribaram do norte
uma mão na frente
outra atrás

vieram pro sul
uma mão na frente
outra atrás

não deu sorte
uma mão na frente
outra atrás

arribaram pro norte
uma mão atrás
outra na frente


meia-volta


***


Estes foram os poemas que eu digitei no calor de uma pós leitura. Depois, durante muito tempo fique observando esta postagem incompleta, e por mais simples que fosse digitar as outras oitenta páginas, nunca o farei.
Preferi escanear porque percebi que ler no tablet é, em certos aspectos, melhor que em papel, principalmente quando este papel não esta em formato de livro, mas de folhas impressas que se perdem... Enfim!
Já que não poderia distribuir o livro para todos os interessados, mesmo que sejamos pouquíssimos os que gostamos de poesia, resolvi oferecer mais do que as poesias despregadas de um livro, mas oferecer a aparência dele.
Acho que uma foto da página, num tablet, aproxima mais do livro do que na tela do PC ou em folhas impressas e grampeadas. Aqueles defeitos das páginas, umas orelhinhas. Só falta o que sempre foi a gr
Linkande lacuna das imagens gravadas, a falta de cheiro. Há quem curta cheirar entre as páginas (e não é a mesma coisa que cheirar sobre a capa do livro).

Dessa forma, clique aqui para ser remetido ao local onde poderá obter o arquivo que eu laboriosamente gastei a madrugada de sábado e a tarde de domingo escaneando.

Faço isso como uma homenagem ao poeta; aos outros poetas que tem seus livros esquecidos para sempre em bibliotecas desativada pelo município. Ofereço a todos que amam poesia.

Este livro é muita poesia!

1 comentários:

Anônimo disse...

No livro, os títulos do poema estão na parte debaixo do poema; mantive como no livro.